Parar de (apenas) medir o impacto, e começar a avaliar

Nos Estados Unidos e no Reino Unido várias organizações do terceiro setor já começam a dar sinais de que já estão se sentindo asfixiadas pela compulsão em medir impacto e estimar o retorno econômico dos seus projetos sociais.

A esse respeito, o artigo de Srikanth “Srik” Gopal, ex gerente executivo da FSG (Foundation Strategy Group), faz a seguinte reflexão. Ele diz que cada vez mais as organizações  querem ser capazes de medir de modo tangível o seu impacto, provar o seu modelo, e garantir aos diretores e aos públicos interessados que estão de fato fazendo bom uso dos recursos. A demanda pela medição do impacto ficou muito forte nos últimos anos. E o movimento para monetizar o impacto só fez acirrar ainda mais essa demanda.

Frente a tantas exigências por modelos de medição econométricos e financeiros, Gopal vai, então, questionar: será que com todo este entusiasmo por medir, documentar, provar e financiar o impacto, não estaríamos perdendo o barco da avaliação?

Para ele, a avaliação é um processo sistemático e intencional de coleta e análise de dados (qualitativos e quantitativos) para produzir informações para a aprendizagem, tomada de decisão e ação. Medir o impacto pode ser um propósito da avaliação, mas de modo nenhum é o único. É hora de parar de (apenas) medir o impacto, e começar a avaliar. A avaliação- como ele define-  é importante porque nos ajuda a:

  • Capturar “o que” está acontecendo, e “porquê” está acontecendo;
  • Entender o que funciona em um determinado contexto, não no abstrato;
  • Compreender que fatores estão ajudando e dificultando o sucesso;

 

Fica aí o alerta de Gopal. E concordo plenamente como ele!

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Comentário de Maria Cecília Prates Rodrigues em 29 novembro 2016 às 17:17

Martina, também compartilho com você essa preocupação sobre como calibrar esse "ajuste adequado" para as evidências de avaliação - sobretudo em se tratando dos projetos sociais das organizações do terceiro setor.

Por um lado, as evidências têm que ter o "tamanho" da organização, atender às suas necessidades de avaliação e falar a linguagem dos públicos envolvidos. Mas, por outro lado, as evidências devem atender também a certos critérios de validade e confiabilidade para que a avaliação possa ser "aceita". 

Obrigada por seus comentários. Um abraço!

 

Comentário de Martina Rillo Otero em 29 novembro 2016 às 12:42

Muito bacana a conversa aqui! Valeu Cecília pela provocação!

Tenho pensando muito na noção de evidência: a avaliação deve colher evidências sobre resultados e impactos dos projetos e programas (além, é claro de aspectos sobre o processo). Nessa sua tarefa, a avaliação deve estar sensível a diferentes "tipos" de evidência. Os construídos por processos experimentais e econométricos são certamente parte das ferramentas para construção de  evidências, mas existem outras formas! Isso tudo depende bastante de compreendermos: O que é evidência para cada tipo de público? Lembramos assim, que a "verdade" depende de com quem está se falando... Se você for apresentar para uma criança os resultados de um determinado projeto certamente teremos que construir outro tipo de evidência. Bjs

Comentário de Maria Cecília Prates Rodrigues em 26 novembro 2016 às 10:36

Com certeza, Guilherme!!!

Comentário de Guilherme Costa Pereira em 25 novembro 2016 às 14:33

Minhas caras,

Concordo com ambas, mas faço a ressalva que, apesar de tais métodos serem o mais preconizados como gold standards, não podemos deixar de lembrar, até mesmo para os programas/projetos do setor público, que eles não podem ser o fim em si mesmo! Sem contar as muitas limitações, que nem sempre são lembradas...

Parabéns!

Comentário de Maria Cecília Prates Rodrigues em 25 novembro 2016 às 11:53

Obrigada, Mayira, por seus comentários!

A ideia é justamente que a avaliação dos projetos sociais das organizações do terceiro setor não podem se guiar pelos mesmos métodos preconizados para os programas / projetos sociais do setor público.

Comentário de MAYIRA SOJO-MILANO em 24 novembro 2016 às 14:27

Prezada Maria Cecilia, você concorda com o colega Gopal e também eu.

Claro que si, medir impacto forma parte del protocolo de evaluación. Sin embargo, socialmente, podemos considerar realmente peligroso o amenazante que se crea que medir el impacto basta, desde el punto de vista economico. A eso parecen habernos conducido los esquemas y condiciones de las fuentes que financian nuestros proyectos a nivel internacional y que, en general, se consideran grandes referentes. Por ello es tan importante que no nos dejemos deslumbrar y conozcamos de metodologias..

Los tres items que usted coloca con viñetas nos recuerdan el por qué de una evaluación. Evaluar es un proceso que se completa en el continuo de Vigilancia--Monitoreo--Evaluacion. Con este principio, trabajamos evaluando procesos, cuya valoración, más alla del protocolo y lo instrumental (obviamente tambienm my importantes) es un proceso a su vez, muy dinamico y contextual, muy historico y dialectico, pues los procesos que evaluamos son todos sociales, indefectiblemente. 

La evaluacion podemos considerarla el momento de investigacion operativa que deberian incluir todos los procesos que se diseñan o reformulan, Eso podemos apreciar en Salud, en Educación, en las experiencias más complejas de Intersectorialidad...

Asi es, yo tambien concuerdo con Gopal y contigo! Muchos saludos!

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