Relato de Viagem: reunião da Organização Internacional de Cooperação em Avaliação em Accra, Ghana, 13 e 14jan2012

Relato de Viagem: Participação da Reunião Anual Geral Presencial do Conselho da Organização Internacional para Cooperação em Avaliação (IOCE)

 

Por: Marcia Paterno Joppert

15.01.2012

 

O encontro reuniu diversos membros do conselho[1] e outros convidados e teve como foco principal, além das questões administrativas e financeiras da organização, discutir uma proposta que poderá imprimir um salto de resultados a todas as organizações dedicadas à promoção de avaliação em seus países. A ideia surge a partir de alguns fatos que estão ocorrendo neste momento em paralelo:

 

  1. Um desejo da UNICEF de cada vez mais contribuir para o campo de avaliação: lideradas por Marco Segone, diversas iniciativas vêm ocorrendo nos últimos dez anos como publicação de livros e realização de webinários [2]
  2. A razão de ser da IOCE, criada em 2003: identificar, ligar e apoiar organizações voluntárias dedicadas ao tema avaliação do mundo inteiro, contribuindo para construir lideranças e capacidades em avaliação, especialmente em países em desenvolvimento, promovendo fertilização cruzada na teoria e prática da avaliação no mundo todo; endereçar desafios internacionais em avaliação e ajudar a profissão avaliação a ter um papel mais global para contribuir para identificação e solução de problemas no mundo. Ao fim, o grande resultado de longo prazo da IOCE é uma maior eficiência e efetividade dos processos de desenvolvimento
  3. O dilema da IOCE (últimos 2 anos) sobre que ações efetivas vem desenvolvendo para agregar valor efetivo às organizações membro
  4.  A Declaração de Paris sobre a Eficácia da Ajuda ao Desenvolvimento, assinada por 81 países, inclusive o Brasil em 2005 (há uma versão em português e um relatório de avaliação), que coloca que apropriação nacional (national ownership) e liderança são fatores fundamentais para assegurar bons resultados de desenvolvimento. O princípio da apropriação significa que países parceiros deveriam apropriar-se e liderar seus próprios sistemas de monitoramento e avaliação, enquanto os doadores e organizações internacionais de cooperaçãoo (ex: ONU) deveriam apoiar iniciativas sustentáveis de desenvolvimento de capacidades nacionais em avaliação.
  5. Os resultados do IV Fórum de Alto Nível em Efetividade da Ajuda (High Level Forum IV on Aid Effectiveness), realizado em novembro de 2011 em Busan, que, além de reafirmar os princípios da Declaração de Paris,  reconhece a importância das cooperações sul/sul e triangulares e da parceria com novos atores como Organizações da Sociedade Civil para alcançar efetividade em ações de cooperação para o desenvolvimento
  6. aproveitar a ideia de um programa do Banco Mundial chamado LACMIC++, que promove parcerias entre países em boas iniciativas de gestão para resultados

 

Outro fator contextual importante baseia-se no fato de que nas últimas décadas, tanto atores da sociedade civil como do setor privado têm atuado de forma central em atividades que promovem maior responsabilização para ações públicas através do monitoramento e da avaliação. Organizações voluntárias, nacionais e regionais, que reúnem avaliadores profissionais crescerem de 15 na década de 90 para mais de 120 hoje em dia. Olhando para as linhas gerais dos resultados da conferência de Busan, as organizações da sociedade civil podem e deveriam exercer um papel central em advogar pela transparência na alocação de recursos públicos e sua aplicação; pela responsabilização na implementação das políticas públicas, fortalecer a demanda pelo uso de avaliações contribuindo para a formulação de políticas públicas baseadas em evidências, e promover a qualidade das avaliações (com base em padrões nacionais e internacionais) e dos avaliadores.

A UNICEF apresenta então uma proposta de projeto denominado Cooperações Triangulares para o Fortalecimento das Capacidades Avaliativas da Sociedade Civil[3].

Inicia sua justificativa dizendo que Organizações Voluntárias promotoras de avaliação (OVAs), estão crescendo rapidamente nos países com uma tremenda gama para intercâmbios de possíveis de soluções, ideias e experiências que podem apoiar o desenvolvimento de capacidades em avaliação. A iniciativa busca fortalecer a comunidade internacional de OVAs aproveitando as vantagens das novas tecnologias de informação e comunicação para facilitar a atuação em rede e o aprendizado mútuo.

Abaixo, replica-se a apresentação realizada por Marco Segone no dia 14.01.2012 em Accra, a qual dá todas as linhas gerais do Projeto (o documento em inglês pode ser consultado a pedidos com Marcia Joppert):

 

 

Projeto: Cooperações Triangulares para o Fortalecimento das Capacidades Avaliativas da Sociedade Civil

1. Objetivos

Contribuir para ampliar as capacidades das Organizações da Sociedade Civil (OSC), especialmente das Organizações Voluntárias de Profissionais Envolvidos com Avaliação (OVA) – para influenciar formuladores de política, opinião pública e outros atores chave para que as políticas públicas sejam baseadas em evidência, equitativas e efetivas.

2. Resultados Esperados

2.1 Membros das AVOs com capacidades em avaliação fortalecidas (não se resume a treinamentos) – abordagem individual

Possíveis iniciativas:

  • Webinários ao vivo com palestrantes internacionais de referência;
  • Programas de educação à distância (EFE);
  • Programas de Mentoria (ILP); 
  • Treinamentos organizados por instituições locais e AVOs mais desenvolvidas (ex: AEA, CES)

2.2 AVOs com capacidades institucionais fortalecidas – abordagem institucional

  • Identificar e mapear principais desafios /questões de fundo, bem como osf atores de sucesso, enfrentados pelas AVOs;
  • Compartilhar experiências de algumas AVOs em endereçar tais desafios e experiências positivas em construir os fatores de sucesso;
  • Documentar e publicar boas práticas
  • Desenvolver um sistema de EAD ou centro de recursos baseada nessas boas práticas
  • Ajudar AVOs selecionadas a desenvolver seus planos estratégicos/de ação para endereçar os desafios/questões de fundo identificadas

2.3 AVOs capazes de implementar boas práticas que fortaleçam os sistemas e as políticas nacionais em avaliação (o ambiente)

  • Profissionalização da função avaliação
  • Suportar universidades nacionais e outras iniciativas
  • Programa de EAD
  • Políticas Nacionais em Avaliação (ou referências conceituais, padrões de qualidade, parâmetros de profissionalização)
  • Sistemas de M&A liderados pelos países (Country-led M&E systems)

3. Estratégia Proposta

Facilitação do compartilhamento de conhecimentos por meio de:

  • Facilitação de sessões em conferências organizadas por AVOs nacionais e regionais
  • Expansão da plataforma/portal MyM&E.org, buscando a integração da Comunidade de Prática baseada na Internet, Webinários, e facilidades web 2.0 relevantes para facilitar compartilhamento de conhecimentos

 

 

 

Apoio e facilitação de aprendizado mútuo por meio de:

  • Parcerias com outras iniciativas (como CLEAR)
  • Organização de uma Conferência Internacional[4]
    • Criação de um sistema de apoio peer to peer (P2P)
    • Publicação e disseminação de boas práticas e lições aprendidas identificadas pelas AVOs

 

4. Princípios Norteadores

4.1 Parcerias Estratégicas

  • ONU e UNEG (UN Evaluation Group)
  • OECD/DAC e bilaterais
  • Bancos
  • Fundações Privadas
  • Rede de Universidades
  • ONGs grandes ativas em Avaliação (Rockfeller, Oxfam, Save the Children etc.)

4.2 Inovação

Uso de tecnologias de informação e comunicação de ponta.

4.3 Inclusão

 Abertas a todas as pessoas interessadas em desenvolver novas ou fortalecer AVOs emergentes em seus próprios países, porém focando no apoio a AVOs, ONGs, universidades, e institutos locais de formação que tenham demonstrado compromisso e capacidade (potencial) para entregar resultados

5. Governança Proposta

Um Grupo de Aconselhamento Internacional (International Advisory Group- IAG) para guiar e prover recomendações sobre a conceitualização e implementação da iniciativa.

Grupo de gestão operacional para assegurar a implementação da iniciativa de acordo com o planejado

 

6. Calendário e marcos chave

 

A conferência internacional, enquanto global em natureza, será realizada na Asia Oeste no início de 2013

 

 Ano da Avaliação: 2015

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Acho que estamos num momento muito feliz de sinergia. A Rede Brasileira de M&A por meio dos membros do Comitê Gestor, está em sua 3a etapa de planejamento estratégico, que se realizará entre os dias 16 e 17.01.2011. Já definimos nossa missão e nossa visão. Estamos agora caminhando para a definição de objetivos estratégicos, cujos desdobramentos serão certamente iniciativas que demandarão parcerias (internacionais ou não).

O projeto da UNICEF nos dá a perspectiva de termos as portas abertas para as parcerias internacionais.

Isso tudo também reforça a oportunidade de termos o tema do seminário de 2012 focado em capacidades nacionais em avaliação.

 

Mãos à obra!

 



[1] Issaka Traore – Burkina Faso, AfrEA

Nermine Wally – Egito, AfrEA

Tessie Catsambas – EUA

Marie Groven – Canada

Pablo Rodriguez Billela – Argentina, ReLAC

Marcia P Joppert – Brasil, ReLAC

Murray Saunders – Inglaterra, Sociedade Europeia de Avaliação

Soma de Silva, SriLanka, SLEVA

Outros Convidados Presentes: Oumoul Khayri Ba Tall (Mauritania, ex president da IOCE), Burt Perrin (ex membro, Jim Rugh, ex-membro, Marco Segone – UNICEF, ex-VP)

[2] Todas essas iniciativas vêm sendo constantemente divulgadas pela Rede Brasileira de M&A, e, embora sejam todas no idioma ingles, alguns membros têm aproveitado bastante os seus resultados

[3] Título original em ingles: “Triangular cooperation for strengthening Civil Society’s Evaluation capacities

[4] Possível financiador: Sociedade Finlandesa de Avaliação, data prevista – início de 2013 na Ásia Leste

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Comentário de Rosane De Martin Gama em 18 janeiro 2012 às 9:54

Quanto trabalho pela frente! Ótimo! 

Comentário de Maria Lucia Cunha de Carvalho em 17 janeiro 2012 às 19:46

marcia,

Muito bom o seu relato e fundamental para a SEPLAN tem dialogado com a sociedade ao elaborar  o PPA participativo.vou circular entre a nossa equipe pois estamos estruturando a área de availição da SEPLAN.

Gostaria de estar ai no Planejamento da rede , mas Roberto está marcando a presença da Bahia .

 

espero no p´roximo encontro da Rede relatarmos a nossa construção da Metodologia de Monitoramento e Avaliação compartilhada com os orgãos publicos baianos

Um grande abrço e parabens pelo seu proficuo trablaho em prol da Rede.E obrigaado pelo compartilhar.

Lucia Carvalho

Comentário de Sueli de Lourdes Couto Rosa em 17 janeiro 2012 às 13:13

Marcia, gostei muito, principalmente sobre o fortalecimento de iniciativas para a participação da sociedade civil em processos de avaliação e monitoramento das politicas publicas e demais projetos de interesse social. Estaremos aguardando por mais noticias e oportunidades.

Comentário de ROSINETHE MONTEIRO SOARES em 17 janeiro 2012 às 12:09

Gostei muito, obrigada por fazer isso por mim e por todos os que não tem oportunidade de estar naquele lugar onde as idéias aparecem e sáo discutidas. obrigada mesmo

Rosinethe

Comentário de DENISE BOCORNY MESSIAS em 17 janeiro 2012 às 10:03

Gostei muito! Obrigada por compartir. Destaque   para a citação ao principio de apropriação citado no item 4, que remete a Declaração de Paris (2005)_Eficiencia Ajuda ao Desenvolvimento, como iniciativa à Rede.

Comentário de João Paulo Mota em 17 janeiro 2012 às 8:23

Ótimo post. Muito bom termos uma representante brasileira de destaque, contribuindo para que esses temas avancem em nosso país. Parabéns, Marcia. Beijos.

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