Rede Brasileira de Monitoramento e Avaliação

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Na avaliação do projeto social, qual deve ser o papel da equipe executora? (PARTE II)

Na reflexão que fiz no post anterior (parte I), eu abordei a relação de complementaridade que deve haver entre a equipe executora e os avaliadores externos, de modo que a avaliação possa realmente contribuir para a condução do projeto social. Porém, a meu ver, essa contribuição pode ser ainda maior se, ao invés da relação de complementaridade, os executores assumirem a centralidade na avaliação dos projetos sociais.

Também Marcelo Garcia, em seu artigo Monitoramento e avaliação – e serviu para alguma coisa? tem essa posição. Em janeiro último, Marcia Joppert sugeriu aqui na RBMA a leitura desse texto dele. De fato, é bastante interessante e provocativo. Levanta aspectos relevantes da avaliação, sob a ótica de um experiente gestor público da área social.

A sétima e última provocação trazida por Marcelo Garcia é sobre quem deve avaliar (e monitorar) os projetos sociais. Ele é incisivo a esse respeito: “quem deve avaliar o trabalho e os resultados de forma constante é a equipe que está envolvida no trabalho.... Avaliar é procedimento da execução. É claro que um olhar externo é muito bem-vindo, mas não substitui o olhar de quem está dentro do processo. Com frequência, muitas secretarias acreditam que a melhor avaliação é feita com pessoas de fora do processo. Eu não faço parte desse grupo”.

Eu concordo inteiramente com ele, sobretudo em se tratando das organizações do terceiro setor. A avaliação é para ser essencialmente uma ferramenta de gestão da organização e, portanto, deve ser conduzida pela equipe da própria organização. Não quer isto dizer que a equipe deve ser a “dona” do projeto, no sentido de decidir sobre o que o projeto faz e como faz. Mas, em razão do seu conhecimento e sensibilidade do contexto social, é ela quem está melhor posicionada para conduzir o planejamento e a avaliação da iniciativa social, em diálogo permanente com os vários públicos envolvidos (beneficiários, financiadores, governos e outros parceiros).

É nesse sentido que a avaliação deve ter e falar a linguagem da equipe executora do projeto, de modo a gerar as informações para responder às suas necessidades específicas na condução do projeto.

Se for o caso, podem ser contratados pesquisadores de campo para aplicar os questionários / fazerem as entrevistas, para não inibir os entrevistados (em geral, conhecidos dos executores), e deixá-los o mais à vontade possível para expressar a sua posição em relação ao projeto.

Da mesma forma, podem ser contratados especialistas para, junto com a equipe executora, desenvolver com ela e aprimorar as suas ferramentas de planejamento e avaliação, como o marco lógico, questionário e software de base de dados. Nesse caso, os especialistas entram como coadjuvantes na avaliação, e não como os seus fazedores ou principais responsáveis.

 

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Comentário de Maria Cecília Prates Rodrigues em 16 março 2017 às 16:52

Sem dúvida, Anna Beatriz! Pois se não houver essa integração, a avaliação corre o sério risco de se tornar em mais um item de compliance a ser atendido pela organização, e com baixíssima utilidade para o projeto.

Comentário de Anna Beatriz em 16 março 2017 às 12:32
Muito importante sua reflexão. É importante sobre tudo compreender que a avaliação precisa de equipes integradas (sejam internas ou externas), com comunicação fluida sobre os interesses e obstáculo, para que possa gerar resultados que realmente sejam aplicados para melhorar o projeto, seus resultados e a relação com os beneficiários.
Comentário de Maria Cecília Prates Rodrigues em 13 março 2017 às 16:12

Obrigada, Marcia, por seu estímulo. Veja que essa reflexão que fiz acima surgiu de um artigo que você havia sugerido a leitura aqui na RBMA. O grande desafio, sobretudo para as organizações do terceiro setor, é fazermos avaliações que sejam simples, com as perguntas avaliativas formuladas de maneira correta, que tenham credibilidade e sejam úteis para o projeto. Evidentemente, isso não elimina as pesquisas experimentais de impacto, quando a organização (mais para a frente no processo da avaliação) sentir a necessidade delas e souber demandá-las e interpretá-las. 

Comentário de Marcia Joppert em 13 março 2017 às 15:28

Oi, Maria Cecília! muito bacana a sua reflexão e vai na linha dos métodos mistos. Super importante envolvimento dos atores chave no desenho e na implantação dos processos avaliativos. Continue postando! Estou adorando!

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