Na avaliação do projeto social, qual deve ser o papel da equipe executora?

É comum vermos organizações do terceiro setor contratarem especialistas externos, em geral doutores da academia, para avaliarem o impacto dos seus projetos sociais. Acreditam que, dessa maneira, dão credibilidade ao trabalho social que desenvolvem e, assim, conseguem garantir novas doações e financiadores.

O problema é que, na maior parte das vezes, essas avaliações contratadas pouco interagem com a dinâmica do projeto social. Em grande medida isso se deve ao fato de que a conversa entre as equipes executoras e os avaliadores fica restrita a dois momentos: no início, na encomenda da avaliação; e ao final, na entrega dos resultados. E os aguardados resultados só fazem referência à probabilidade de o projeto ter tido (ou não) efeito significativo nas variáveis esperadas, dentro de uma determinada margem de erro. Se teve efeito, foi ótimo; se não teve, vamos procurar ter da próxima vez.

Decorre, daí, que a contribuição da avaliação para a efetividade do projeto social acaba tendo um papel muito reduzido. Sem falar que, na maior parte das vezes, é considerado como um fardo para a organização. O que fazer para melhorar a relação entre a avaliação e o projeto social?

No texto de Libby Watkins para o site da Evaluation for Change (28.06.... ela enfatiza um dos aspectos que poderia ser melhorado, ou seja, o relacionamento entre os avaliadores e as equipes executoras do projeto social. 

Segundo Watkins, as equipes executoras precisam ser diretamente envolvidas no processo da avaliação. Com isto, a avaliação - e, portanto, também os avaliadores - têm muito a ganhar. As equipes executoras são as pessoas que melhor conhecem o projeto e que mais podem ajudar na avaliação. Elas têm uma perspectiva única sobre o projeto, aí incluído o que funciona e o que não funciona, e o que realmente precisa ser mensurado. Os seus insights são essenciais para criar as perguntas avaliativas e escolher as metodologias.

Para Watkins, é preciso também que os avaliadores saibam conquistar as equipes executoras para serem suas aliadas. E isso não acontece da noite para o dia, porque até agora a avaliação não costuma ser benvista pelo grupo dos executores, percebida por eles como mais carga de trabalho (e pouco útil para o andamento do projeto em si) e ainda podendo vir a ter caráter punitivo.

Ela dá algumas dicas para essa “conquista”: primeiro, a causa social deve ser o mantra forte a unir o trabalho de ambos os grupos – avaliadores e executores. Segundo, incluir de fato as equipes executoras ao longo de todo o processo avaliativo, desde a criação do marco lógico até a apresentação dos resultados – e deixar claro que não é apenas “da boca pra fora”. Terceiro, buscar maneiras de compartilhar os dados de forma útil, de modo que os  executores possam de fato melhorar o seu trabalho em tempo hábil, e a avaliação consiga iluminar os sucessos do impacto na vida dos beneficiários e sua relação com o  trabalho da equipe executora. Dessa maneira, se cria uma parceria “simbiótica” entre avaliadores e equipe executora, em que um grupo ajuda o trabalho do outro.

Enfim, essa estratégia proposta por Watkins é uma das maneiras para melhorar a contribuição da avaliação para a efetividade do projeto social. Em um próximo post, vou comentar outra estratégia de avaliação (relacionada ao papel da equipe executora) que, a meu ver, tem um potencial de contribuição ainda maior para o projeto social

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Comentário de Silvana M.S.Oliveira em 23 fevereiro 2017 às 9:05

Texto bastante coerente. De fato,  quem executa tem elementos chaves para avaliar,  que poderiam passar despercebidos de  sem a participação destes  no processo de avaliação. A avaliação deve ser  um instrumento de  estimulo a eficiência e  alcance de metas e não, como quase sempre, de pressão para o desempenho. .

Comentário de Esteban Almada Román em 18 fevereiro 2017 às 16:39

El comentario de Maria Cecilia sobre la importancia del involucramiento del equipo de proyecto en el proceso de la evaluación de la misma es muy interesante. En los trabajos realizados de evaluación siempre traté de tener en cuenta este aspecto, pero con las observaciones de la coelga, ahora veo como una necesidad empezar desde el inicio con el involucramiento del equipo de proyecto. Gracias por los comentarios

Comentário de Antonio Carlos Flor em 16 fevereiro 2017 às 23:50

É fundamental que toda equipe participe periodicamente das avaliações, assim, todos ficarão inteirados do andamento e desenvolvimento do projeto. Quero ressaltar que, em virtude de pressões, a equipe executora, muitas vezes não retorna os andamento do projeto e suas falhas constantes, que quase sempre não aparece no feedback.

Comentário de Antonio Carlos Flor em 16 fevereiro 2017 às 23:50

É fundamental que toda equipe participe periodicamente das avaliações, assim, todos ficarão inteirados do andamento e desenvolvimento do projeto. Quero ressaltar que, em virtude de pressões, a equipe executora, muitas vezes não retorna os andamento do projeto e suas falhas constantes, que quase sempre não aparece no feedback.

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