Iniciativa de impacto coletivo: uma experiência exitosa

Assisti ontem ao chat em que Deborah Halliday conta a sua experiência à frente da iniciativa de impacto coletivo ´Graduation Matters Montana` nos Estados Unidos / Montana, entre 2009 e 2016. O objetivo era elevar a taxa de graduação no ensino médio do estado, mediante parceria entre as escolas, organizações comunitárias e as empresas que funcionavam nas ´main streets` da região (ou áreas menos abastadas e menos populosas, tidas como “rurais”).

Só relembrando: uma “iniciativa de impacto coletivo” une diferentes atores dos diferentes setores (público, privado e terceiro setor) em torno de uma transformação social e ambiental; com isso, passa a ter um poder de impacto maior e mais sustentável do que uma atuação isolada. Os seus cinco pilares básicos são: ter uma agenda em comum, um sistema de medição compartilhada, uma comunicação contínua, atividades que se complementam, e o suporte de uma organização-líder. 

Deborah Halliday atuou como coordenadora dentro da organização-líder Montana Office of Public Instruction, uma espécie de Agência Estadual de Educação. A iniciativa envolveu 58 comunidades do estado, conseguiu levantar valor considerável de recursos junto ao setor privado local e, com isto, disponibilizar a assistência técnica necessária, por meio de materiais on line, monitorias especializadas e encontros regulares de acompanhamento. Ela afirma com orgulho que o resultado foi avaliado como muito bem sucedido, medido por indicadores tais como a elevação na taxa de aprovação no ensino médio do estado, a queda na evasão e a maior retenção dos adolescentes com necessidades especiais.

Destaco alguns pontos relevantes abordados por ela na entrevista:

  • As vantagens que têm organizações do setor público (desde, é claro, que comprometidas com a transformação) para assumirem o papel de coordenação (backbone support) nessas iniciativas de impacto coletivo - sobretudo em termos de equipe e infra-estrutura;
  • A constatação que ela fez na prática da afirmativa de Stephen Covey de que o “progresso se move na velocidade da confiança” das pessoas envolvidas (progress move at the speed of trust);
  • O entrosamento virtuoso que deve haver entre os ´especialistas de conteúdo` e os ´especialistas do contexto` (content experts and context experts). Ou seja, a teoria conversando com a prática o tempo todo.
  • Quando se começa uma iniciativa de impacto coletivo, o fundamental é a atitude de humildade e curiosidade, ver cada questão ou desafio com a mente de um iniciante. Ter conversas informais com todos os atores relevantes relacionados ao assunto, ou seja, ´tomar 100 xícaras de café` com cada um deles.
  • O engajamento em ambientes complexos e dinâmicos não é fácil. Por isto, é muito importante haver a comunicação permanente entre os atores envolvidos, para serem estimulados com os impactos já conseguidos e partilharem as dificuldades que vão surgindo.

Durante o chat, a coordenadora deu várias dicas práticas para a condução das iniciativas de impacto coletivo. Vale a pena conferir: https://goo.gl/JorH5d

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Comentário de Maria Cecília Prates Rodrigues em 29 março 2017 às 11:42

Oi, Carla

Sugiro que você dê uma olhada no site da Collective Impact Forumhttps://collectiveimpactforum.org/ , referência mundial nessas iniciativas de impacto coletivo. Lá você vai encontrar muitos materiais interessantes, inclusive sobre avaliação. Certamente vão trazer insights para o seu trabalho! Um abraço.  

Comentário de Carla Silva Ferreira em 27 março 2017 às 11:11

Oi Olá,

Achei muito interessante essa experiência, gostaria de ter acesso a materiais sobre avaliação de impacto coletivo, onde encontrar?

Trabalho como monitora no projeto de desenvolvimento rural, e as ações, o contexto as intermediações e as atividades são semelhantes, etc.. fiquei imaginando como seria uma avaliação dessas em um programa de desenvolvimento rural, com comunidades quilombolas, por exemplo. Em fim.. teria que ler e estudar mais o tema para propor uma experiencia dessa.. 

Forte Abraço!

Obrigada!

 

Comentário de Marcia Joppert em 24 março 2017 às 14:21

Muito interessante, Maria Cecília!!!!

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