Caros, da revista Veja dessa semana:

Do Clipping do planejamento:

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/5/2/o...

O EXEMPLO DO VIZINHO
Veja - 02/05/2011

País que mais avançou no ensino na última década, o Chile é um caso emblemático de como uma política duradoura, a salvo de trocas de poder, é decisiva – uma lição para o Brasil

Trajando uniformes impecáveis 350 alunos da escola públic2 Ciudad de Frankforr, em Santia¬go, capital do Chile, perfilam-se diante da diretora no fim do recreio para entoar o hino nacional. Seguem para a sala de aula com notável entusiasmo. Não faz muito tempo, ali se amontoavam carreiras quebradas, os telhados caíam aos pedaços e imperavam tanto a indisci¬plina quanto o baixe nível acadêmico. Até a violência das gangues que domi¬nam as imediações se fazia sentir nos corredores, por onde uma professora chegou a circular sob escolta policial de¬pois de ser ameaçada de morre por um aluno. Desde 2007 nas mãos da diretora Haydee Inostroza, uma matemática de 52 anos com mestrado e MBA em gestão esc ar, o colégio passou por uma trans¬formação radical - não sem traumas. O quadro de professores foi alvo de uma faxina por meio da qual 70% saíram, e a escola passou a ser regida por ambicio¬sas metas e prêmios atrelados ao desem¬penho da equipe. No Chile, dividem-se as instituições de ensino em ruins, emer¬gentes e boas. Palco de avanços que es¬pantam pela velocidade, a Ciudad de Frankfort foi recém-alçada ao patamar mediano. Diz a diretora, dando o tom de uma obsessão que se espraia pelo país: "Nosso objetivo é estar entre os melho¬res nos próximos .dez anos".
Na última década, ninguém avançou tanto em sala de aula quanto os chile¬nos. Eles se destacam na •comparação com estudantes de 65 nacionalidades, inclusive os brasileiros, segundo revela um recente levantamento conduzido pe¬la Organização para Cooperação e De¬senvolvimento Econômico (OCDE). Tamanho ímpeto distancia o Chile da rabeira do ranking e do Brasil (veja o quadro na página 132) - um conjunto de dados que suscita pergunta inevitá¬vel: temos o que depreender do exemplo que se avizinha? Ainda que persistam alguns obstáculos que tornam o desafio brasileiro mais complexo - a começar pelo fato de o Chile contar com menos de um décimo da população do Brasil e reunir menos escolas que todo o estado de São Paulo -, a resposta é afirmativa, t:ais são a simplicidade dos princípios em que se ampara o modelo chileno e as características que unem os dois países. "Ao contrário de China e Coréia do Sul, que empreenderam mudanças radicais em ditaduras, Brasil e Chile são demo¬cracias e precisam de um grau mínimo de consenso para ir em frente", observa nona Becskeházy, da Fundação Le¬mann, uma estudiosa do caso chileno.
O mérito do Chile foi aplicar com disciplina e persistência iniciativas de eficácia já testadas, com sucesso, em países desenvolvidos. Elas só funcio¬naram porque permaneceram de pé ao longo de duas décadas ininterruptas ¬a salvo de trocas de poder, ideologias e ingerências políticas que costumam provocar retrocessos na área. No início dos anos 1990, governantes de diversos matizes ideológicos selaram uma espé¬cie de pacto nacional, alçando a educa¬ção ao topo da agenda política, numa época em que o país acabara de sepul¬tar a ditadura do general Augusw Pino¬chet. Com o ensino decadente e as escolas à míngua, procurava-se recuperar a excelência de um sistema que já foq~ modelo para os vizinhos. Para se ter uma ideia, entre as décadas de 20 e 50, o prestígio do sistema de ensino ali era tal que os técnicos chilenos rodavam_ vários países da América Latina trei¬nando quadros ligados à educação. Nesse tempo, celebrizaram-se os gran¬des mestres (ou "maestros"), como os proeminentes poetas Gabriela Mistra! e Pablo Neruda, ambos ganhadores de prêmios Nobel de Literatura e educa¬dores de conduta exemplar. Essa defe¬rência aos estudos é algo que começa a se vislumbrar só agora no Brasil - um fato que ajuda a entender o atraso de cerca de uma década dos brasileiros em relação aos chilenos.
O motor das mudanças chilenas se alicerça em uma premissa tão básica quanto eficaz: a meritocracia. Tal ideia é levada no Chile às últimas consequ¬ências - a ponto de gente como Ma¬ria Dolores Ormazabal, 57 anos de vida e 28 no ofício de professora, ga¬nhar 30% mais que seus pares por se destacar no trabalho. Depois de mais de uma década de negociações com os sin¬dicatos, todos os docentes chilenos passaram a ser submetidos a avaliações periódicas, que podem até sentenciar a demissão dos menos eficientes. "Ames, a escola era pautada por relações pes¬soais; hoje, é a competência que deter¬mina o destino dos profissionais", resu¬me Maria Dolores, que faz breve balan¬ço da própria trajetória: "Tudo indicava que estes anos próximos à aposentado¬ria seriam de marasmo, mas se toma¬ram os melhores de minha carreira". Os diretores também passam por crite¬riosa peneira. Um pré-requisito para que sejam contratados é a apresentação de um plano de gestão para a escola que pleiteiam comandar,.tal qual numa em¬presa. Os mandatos, de cinco anos, só são renovados mediante bom desempe¬nho, o que os deixa em permanente es¬tado de vigilãncia. "Durmo com plani¬lhas e relatórios debaixo do meu u"aves¬seiro", sintetiza Celinda Galindo, dire¬tora de uma escola em Maipú, na região metropolitana de Santiago.
Outro traço marcante da reforma chilena é o pragmatismo com que se faz uso do dinheiro público. O Chile elevou o quinhão destinado à educação - de 2,5% para 6.4% do PIB desde 1990, en¬quanto o Brasil estacionou em 5% -, mas só libera cenas verbas em troca de resultados concretos, mensuráveis. Um deles é elementar: o comparecimento dos alunos à sala de aula. O segundo é que a escola siga em trajetória ascen¬dente, segundo indicadores objetivos, ano após ano. Os recursos têm sido ca¬nalizados para o essencial. As escolas mantidas com orçamento oficial - algo na casa de 95% das escolas do país ¬contam hoje com rumo de oito boras. É uma das características que aproximam o Chile dos países mais ricos e bem-su¬cedidos na educação.
Num contexto de estabilidade eco¬nômica e política e com a perspectiva de ombrear-se, até 2020, com os indicado¬res socioeconômicos das nações mais" ricas, o Chile tem na educação um in¬grediente crucial" em seu modelo de desenvolvimento. De duas décadas para cá, o contingente de universitários que se preparam para entrar no mercado su¬biu espantosamente: o número dobrou. Eles contribuem para que a exportação de serviços que demandam alta qualificação, concentrados na área de tecnolo¬gia da informação (TI), já produza cifras semelhantes às da tradicional indústria de vinhos. É nesse cenário que começa a surgir um gênero específico de investi¬dor estrangeiro, à caça dos cérebros chi¬lenos. "Entre os sete centros de pesquisa que o Yahoo! possui no mundo, um está aqui, graças à grande oferta de talemos". explica o diretor Mauricio Marín. Tal centro está instalado na Universidade do Chile, a número 1 do país, próximo ao laboratório de outros gigantes do mundo digital, como a americana Cisco. O bem-sucedido casamento selado ali en¬tre meio acadêmico e mercado tem re¬dundado em mais inovação - e paten¬tes (veja o quadro na página 132).
Na 44a colocação de uma lista de 65 países, o Chile tem. evidentemente, um longo caminho a percorrer em direção ao topo do ranking da excelência. O abrangente levantamento da OCDE. no entanto, dá várias indicações de que o rumo para chegar lá está acertado. Um claro sinal disso é que a diferença entre os alunos mais pobres e os mais ricos está se reduzindo no Chile - caracte¬rística comum a todos os países de ele¬vado padrão acadêmico. Tais avanços se traduzem em uma coleção de boas histórias, como a que conta o estudante Ignacio Gonzalez, de 14 anos. As lem¬branças mais vivas que traz do período escolar são de quando ele e os colegas escalavam um muro no fundo do pátio. para escapar da aula. Hoje, o rapaz diz: "Pela primeira vez na vida, ir à escola passou a ser um prazer".

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Comentário de Victor Maia Senna Delgado em 13 maio 2011 às 13:31

Olá pessoal, outra novidade ainda mais interessante é o site, caminhos para o aprendizado:

 

http://www.paramelhoraroaprendizado.org.br/

 

Trata-se de um levantamento que toma por base a evidência de 165 publicações científicas sobre a educação, dizendo que já sabemos e o que não sabemos sobre o que funciona e o que não funciona para melhorar o aprendizado e escolarização em sala de aula.

 

Participaram do estudo diversos pesquisadores da Educação e o estudo foi coordenado pelo Ricardo Paes de Barros.

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