Como determinar metas de desempenho em um sistema de gestão por resultado?

Acordar uma meta de desempenho razoável é um desafio, com os custos concretos associados a possíveis erros neste processo. A literatura sobre este tema tem-se centrado sobre os potenciais efeitos negativos de “risco moral” ou “seleção adversa”. No entanto, mesmo não havendo problemas associados a estes tema, ainda pode-se observar custos associados a escolha de um nível de desempenho cuja a meta seja demasiada baixa ou elevada.

Por um lado, se a meta de desempenho negociada é muito baixa, existe um forte risco de que a mesma seja alcançada sem qualquer alteração no comportamento ou desempenho dos agentes do que teria sido realizado na ausência de um sistema de gestão por resultados. Nesse caso, não haveria nenhum benefício - apenas o custo de cobrir os custos administrativos associados com o desenvolvimento de sistemas de monitorização e gestão por resultados.

Por outro lado, se as metas de desempenho negociada são demasiada elevadas, também pode-se haver custos significativos. A natureza exata dos referidos custos ira depender do caminho que o principal opte por seguir uma vez que se torne  evidente que as metas de desempenho foram definidas irrealisticamente altas. Se o principal escolher simplesmente renunciar a quaisquer possíveis repercussões para os agentes que não cumprirem as metas de desempenho, isso pode prejudicar a credibilidade do sistema. Se o principal insistir em manter a expectativa de desempenho dos agentes no que diz respeito ao comprimento das metas - não importando o quão irrealista sejam - isso pode gerar ressentimento e afetar negativamente a produtividade futura.

Em um recente artigo com o titulo "Setting reasonable performance targets for public service delivery", J. Newman e eu, consideramos algumas abordagens para facilitar a definição de metas de gestão por resultado presentes na literatura, e propusemos uma estratégia empirica baseada na utilização de regressões quantilicas para construir uma distribuição de desepenho potencial dos agentes ajustada por suas características, com o objetivo de facilitar a seleção de metas ambiciosas porém realistas. O referido artigo ilustra esta metodologia utilizando dois exemplos concretos de aplicações desta abordagem na definição de metas de gestão no setor de educação e segurança publica no Estado de Minas Gerais, Brasil.

Gostaria de ouvir comentarios e reação sobre este tema dos demais colegas da rede, seja através da seção de comentarios abaixo, ou no Twitter @jpazvd .

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Comentário de Suely de Fátima Ramos Silveira em 22 julho 2013 às 11:15

Bom texto que trata de um tema relevante.

Comentário de Joao Pedro Azevedo em 29 março 2013 às 15:10

Ola Lucilene, existe uma grande literatura sobre como incentivos mal desenhados, podem gerar problemas de risco moral (beneficio que gera um desincentivo a um comportamento positivo) ou incentivo perversos (o criterio de elegibilidade imposto gera um comportamento perverso).  Um examplo classico de resultado perverso na literatura são os programas de renda mínima europeus dos nos 70 e 80, que em muitos casos geravam um desinsentivo ao trabalho, na medida que ao trabalhar o beneficiario deixava de receber a renda mínimia. A resposta foi uma estratégia inteligente e gradual de porta de saída. Uma busca por estas palavras chaves irá resultar em um enorme numero de referencias. Abs, @jpazvd

Comentário de LUCILENE ESTEVAM em 27 março 2013 às 10:40

Tema bem interessante,  em relação ao comentário que trata  do impacto que o mal uso de métodos de planejamento tem nos resultados da política, você tem algum texto que aborda esse tema?

Comentário de Alejo Lerzundi Silvera em 25 março 2013 às 21:49

João Pedro:

Agradeço conformidade com minhas observações. Em nenhuma parte da minha pequena nota falo de indicadores, então no sei porque a suposta confusão com metas. Não entanto, esclareço que no marco logico, não existe a expressão meta, o que existe é "Indicadores objetivamente verificáveis" o que em bom cris-tião  significa indicadores expressados em termos de quantidade tempo e qualidade, é dizer números com certo atributo de qualidade a serem logrados num tempo predeterminado. Logicamente tudo isso ao nível de objetivos, produtos e atividades. De atividade sim, mesmo que se tratando de gestão por resultados, na qual o desempenho tem como foco os objetivos, não pode se esquecer a qualidade e oportunidade do gasto, porque logicamente si você realizar atividades corretamente obterá produtos e logo causalmente objetivos, desde que, os Supostos Importantes sejam geridas positivamente. Estes são conceitos elementares na compreensão do marco lógico. Fundamentalismos aparte, tenho severas críticas a racionalidade cartesiana de causa/efeito, o método mal usado para elaboração de projetos, se presta a  condicionar os resultados como o facilitador quer, ficando grandemente limitado a  possibilidade de discutir o contraditório justamente dessa relação causa/efeito. 

Comentário de Maria Vanderli Cavalcante Guedes em 25 março 2013 às 20:33

Gostei bastante da materia no entanto tenho muitas duvidas na elaboração de indicadores de monitoramento e avaliação

Comentário de Joao Pedro Azevedo em 25 março 2013 às 13:17

Ola Alejo, concordo plenamente que o numero de indicatores deve estar a altura dos numeros de objetivos de qualquer projeto, e que um marco logico claro mostrando a relevância e pertinencia destes indicadores é um ponto de partida fundamental.

Gostaria aproveitar para reforçar a distinção conceitual entre indicatores e meta, o primeiro reflete o que mensuramos, o segundo onde queremos chegar. Os dois são importantes, e por isso mesmo devemos tratá-los de maneira distinta.

Comentário de Alejo Lerzundi Silvera em 25 março 2013 às 12:17

O problema em planejamento e desenho de projetos se encontra em muito vinculado a tratar, suas partes ou componentes como se foram independentes. Sabemos que metas altas e baixas, estão ligadas ao tamanho dos custos, a necessária correspondência  são geralmente ignorados. Ultimamente assisti a apresentação de um programa de governo, que tinha dez objetivos, eu perguntei porque  não 20 ou 50, que se tratando de números fica mais abundante, logicamente não há resposta convincente a este exagero, misturado com objetivos se encontravam, metas, atividades, princípios, estratégias, atividades e outros que não são nada para os efeitos. Objetivo dessa forma pranteado também tem suas metas como bem quiser. Pretende se construir com poucos recursos uma montanha que logo parirá um simples rato.  Bom, as finanças elementares nos dizem claramente que custo/beneficio, com incremento correspondente a taxa bancaria, já é bom para começarmos. Aspirar a mais  do devido, só pode ter explicações vinculadas à estupidez burocrática no uso dos recursos públicos,  incluída o interesse político e institucional. Concertar este desatino não é trabalho do projetista. 

Comentário de Joao Pedro Azevedo em 25 março 2013 às 11:42

Ola Renta,

Obrigado pelo interesse.

Infelizmente este artigo ainda nao saiu em portugues, e até o memento não tenho recursos para traduzi-lo. Note que algumas das referencias estao em português ou espanhol.

 

Azevedo, Joao Pedro  and Pizzolitto, Georgina. V. (2009) Benchmarking: Análisis para la Republica Dominicana. Washington, D.C.:   World Bank, LCSPP. http://www.camaradediputados.gov.do/masterlex/mlx/docs/2F/1B0/1B1/1...

Betânia Peixoto & Marcus Vinícius Gonçalves da Cruz & João Pedro Azevedo, 2010. "Gestão Por Resultados Em Minas Gerais: Uma Avaliação Das Metas De R...,"Anais do XIV Seminário sobre a Economia Mineira [Proceedings of the..., in: Anais do XIV Seminário sobre a Economia Mineira [Proceedings of the 14th Seminar on the Economy of Minas Gerais] Cedeplar, Universidade Federal de Minas Gerais.

Abs, JP

Comentário de Renata Chaves Azevedo em 25 março 2013 às 10:31

João, seu tag é bem legal. Gostaria de ler o artigo sobre as metas. Você tem este material em português?

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