Caminhos para o Futuro da avaliação - Notas sobre a Conferência de 2019 da Associação Americana de Avaliação

Entre 11 e 16 de novembro de 2019 aconteceu em Minneapolis, MN a conferência anual da Associação Americana de Avaliação. Essa é uma conferência que tem crescido a cada ano, tanto em número de participantes (este ano chegou a 3600) como em número de temas (60 em 2019). Participam dessas conferências grandes teóricos, professores, especialistas, pesquisadores, estudantes, enfim, envolvidos no campo da avaliação de diversos países.

A conferência teve como tema “Caminhos para o Futuro da Avaliação”. Sem dúvida, uma discussão instigante, já que estamos vivenciando diversas evoluções. Por exemplo, não há mais lugar para discussões metodológicas “quanti x quali” e os sinais de que a demanda por avaliação tende a aumentar são claros. Aqui nos Estados Unidos estão refletidos no “Evidence Act” de 2018. Essa lei encoraja o uso de dados para a tomada de decisões sobre políticas  públicas em todas as agências federais. Isso tem causado na comunidade americana um senso de urgência: é preciso profissionalizar o campo.

Temas como Construção de Capacidades em Avaliação (ou Evaluation Capacity Building - ECB), estão na moda e atraíram a atenção de muitos participantes. Apresentei com Michael Fileta e Kandice Ocheltree a experiência do Laboratório Nacional de ECB, coordenado pela minha orientadora Dra. Leslie Fierro. 

Resumir um programa de 142 páginas(!) é tarefa complicada. Farei um apanhado das principais tendências e reflexões resultantes da sessão plenária de encerramento “Caminhos para o futuro: reflexões de líderes de avaliação”.

  • Os profissionais de avaliação têm que estar preparados para avaliar as grandes transformações e questões que afetam a humanidade atualmente: nosso “blue marble” (mármore azul), metáfora usada por Michael Q Patton para se referir ao planeta Terra, está enfrentando mudanças do clima, desigualdades crescentes, imigração em massa, vírus violentos, só para dar alguns exemplos. É preciso que a avaliação deixe de olhar só projetos e programas e passe a pensar e atuar de forma abrangente, contribuindo de forma assertiva para um mundo melhor. We will we will evaluate! - vejam aqui todos cantando em coro!
  • Arthur Hernandez diz que precisamos construir diálogo com outros campos. Dos 60 temas abordados na conferência, 37 (62%) são setoriais como saúde, juventude, serviços humanos, pessoas indígenas, etc. Mas, será que todos esses setores conhecem a AEA? Será que conhecem e praticam avaliação em suas organizações?
  • Precisamos ser mais inclusivos e ter um papel ativo na promoção da justiça socialna sessão plenária de abertura, a presidente da AEA, Tessie Catsambas, convidou dois representantes da comunidade indígena americana. Eles falaram em seus idiomas, cantaram, e mostraram a importância de sermos responsivos culturalmente e não nos desprendermos de nossas raízes e de seus valores. Cuidar da Terra, nossa casa, cuidar da água, cuidar das relações familiares e afetivas. Pensar nos outros. Honrar o passado e olhar para o futuro. Segundo Tessie, nossa grande inspiração, o futuro da avaliação pertence aos jovens. Foi emocionante o painel conduzido por Michael Q Patton, chamado “Priorizando o que importa na Avaliação” que convidou dois promissores jovens. Khalil Bitar, representante da rede global EvalYouth, , hoje com 20.000 membros (!), resultante da iniciativa EvalPartners. Fiz parte do seu comitê gestor. Khalil nos deixa a mensagem sobre como é essencial incluir jovens nos processos avaliativos e de quanto eles estão levantando a bandeira da avaliação, por diversos caminhos. Dominica McBride, mãe recente de gêmeos, emocionou os ouvintes ao relatar prática autêntica de inclusão, utilizando princípios da avaliação em comunidades afetadas pela pobreza e injustiça em Chicago (e que olhar tem essa menina!).

Nesse painel, Glenda Eoyang falou sobre sua trajetória, plena de mudanças. Ela é uma das promotoras do pensamento sistêmico na avaliação. Tivemos também Khalil Bitar, representante da rede global EvalYouth, , hoje com 20.000 membros (!), resultante da iniciativa EvalPartners. Fiz parte do seu comitê gestor. Khalil nos deixa a mensagem sobre como é essencial incluir jovens nos processos avaliativos e de quanto eles estão levantando a bandeira da avaliação, por diversos caminhos. Dominica Bride, mãe recente de gêmeos, emocionou os ouvintes ao relatar prática autêntica de inclusão, utilizando princípios da avaliação em comunidades afetadas pela pobreza e injustiça em Chicago (e que olhar tem essa menina!). 

  • O avanço tecnológico está mudando a maneira com que se encomenda, executa, pesquisa, e ensina avaliação. Especialmente ferramentas de coleta e análise de dados e informações, que são as partes mais trabalhosas do processo. O painel coordenado por Michael Bamberger, chamado “ MERL Tech: State of the Field”, dá uma visão geral sobre o que está acontecendo em tecnologia e avaliação.

Estar numa conferência dessa importância é privilégio e exige equilíbrio para balancear o tempo investido nas sessões e em conversas – haja fôlego! Encontrar colegas da Claremont Graduate University (onde faço o doutorado desde 2017), professores, parceiros da Rede Brasileira de Monitoramento e Avaliação (RBMA), amigos e clientes, foi o melhor que pude extrair dessa semana. Tive o prazer de encontrar ex-colegas de Evalpartners, como Jim Rugh, Emma Rotundo e a própria Tessie, além de participar de discussões sobre  profissionalização da avaliação. Esse tema me toca, por se tratar de uma das estratégias da RBMA para o próximo ano. Temos na nossa missão o apoio do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas, GIFE, e da Fundação Itaú Social.

Para quem não pôde ir mas gostaria de ver o conteúdo, consulte https://www.evaluationconference.org/

 

As sessões plenárias foram gravadas e serão disponibilizadas online no site da Associação, para sócios.

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Comentário de Marcia Joppert em 19 novembro 2019 às 1:13

Oi Gisela! que pena não ter te conhecido lá! Estamos planejando um seminário para o ano que vem em Salvador! Estamos em contato com a turma da FIOCRUZ de lá. Vai ser muito legal! Fique ligada e espero que vocês tenham mais coisas interessantes para apresentar! 

Comentário de Gisela Cordeiro Pereira Cardoso em 18 novembro 2019 às 19:58

Olá!

Foi um excelente evento mesmo! Nós, da Escola Nacional de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz (ENSP/Fiocruz), apresentamos 3 trabalhos envolvendo avaliações de políticas e programas em saúde pública.

Acho que seria interessante que a Rede promovesse um espaço de maior integração entre os brasileiros que vão para este tipo de evento. Talvez possamos pensar isso para os próximos congressos. O que acham?  

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